MPDFT apura se deputado Cristiano Araújo usa laranja em empresa

Brasília(DF), 21/07/2016 - Cristiano Araujo. CPI da saúde - CLDF. Foto: Rafaela Felicciano/MetrópolesBrasília(DF), 21/07/2016 - Cristiano Araujo. CPI da saúde - CLDF. Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

Por Helena Mader

Promotoria investiga suspeita de que Cristiano Araújo é o verdadeiro dono de firma que funciona em imóvel da família do distrital e tem um tio como proprietário. Por ser parlamentar, ele não pode comandar negócios diretamemte

Denunciado por corrupção passiva no âmbito da Operação Drácon e réu por fraude à Lei de Licitações, o distrital Cristiano Araújo (PSD) é alvo de outra investigação do Ministério Público do Distrito Federal. A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep) abriu um procedimento no mês passado para apurar denúncias de que o distrital seria o real proprietário de uma empresa prestadora de serviços que mantém contratos com o governo a legislação proíbe deputados de serem sócios de firmas. A família do parlamentar é do ramo de vigilância e serviços gerais.

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A empresa que está na mira do Ministério Público é a Pontual Serviços Gerais Ltda. Ela foi registrada em nome de Thiago Melo Wanzeller. De acordo com a denúncia apurada pelo Ministério Pùblico, o sócio seria “um laranja do parlamentar e, por meio da sociedade na empresa Pontual, estaria lucrando com procedimentos licitatórios em órgãos públicos”.

Um fato chamou a atenção durante a análise do caso: a Pontual Serviços Gerais funciona em uma casa, na QS 7 de Águas Claras, que pertence ao espólio de Luiz Vicente Araújo, pai do deputado distrital. A reportagem obteve uma certidão do imóvel junto ao 3º Cartório de Registro de Imóveis, que comprova que o terreno foi comprado por Vicente e pela Fiança Empresa de Segurança. Atualmente, a casa está penhorada para o pagamento de dívidas trabalhistas da firma da família de Cristiano Araújo.

A Pontual Serviços Gerais já obteve um contrato de vigilância com as Centrais de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa), empresa pública ligada ao GDF, no valor de R$ 272 mil. O Ministério Público do DF enviou ofícios ao governo, questionando se a prestadora de serviços tem outros contratos com órgãos públicos distritais.

Além de Thiago Wanzeller, a Pontual Serviços Gerais ganhou recentemente um outro sócio: Arthur da Cunha Nogueira, tio materno de Cristiano Araújo. A família do parlamentar está no centro de outro escândalo recente protagonizado por ele: no ano passado, o Ministério Público do DF entrou com uma ação civil de improbidade contra o distrital e Ana Lúcia Melo. Ela é tia do deputado, casada com Arthur Nogueira, e foi contratada como servidora do gabinete do parlamentar. No momento da posse, ela assinou documentos garantindo que não tinha nenhum grau de parentesco com o chefe. Descoberta, Ana Lúcia teve de responder a uma ação junto com o sobrinho.

Os interesses empresariais de Cristiano Araújo sempre causaram controvérsia. Em 2016, em uma gravação feita pela distrital Liliane Roriz (PTB), o ex-senador Luiz Estevão fez referências ao que chamou de “bancada da fatura”. Ele citou nominalmente, além de Cristiano, os deputados Robério Negreiros (PSDB) e Rafael Prudente (PMDB), cujas famílias também mantêm negócios lucrativos com o Governo do Distrito Federal. Desde 2009, a Ipanema, firma ligada à família do deputado Cristiano Araújo, recebeu R$ 882 milhões do GDF.

Em escutas ambientais instaladas durante a Operação Drácon, há uma conversa em que Cristiano Araújo fala com um interlocutor sobre dívidas com empresas prestadoras de serviço. Uma pessoa relata uma reunião realizada com empresários sobre o assunto. “Eu falei na questão de você (empresário) ter um deputado que vai fazer aquele trabalho por você ali. Você apoiou o cara na eleição, que não é o caso, mas tem uma grana presa na saúde. O cara tem que ir lá viabilizar o lado do empresário”, diz. Cristiano responde: “Isso é republicano, é legítimo”.

Denúncias

Na última terça-feira, o Conselho Especial do Tribunal de Justiça do DF instaurou ação penal contra Cristiano por fraude a licitação. A acusação é de que o deputado intercedeu para que a Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP) concedesse bolsas de pesquisa sem critérios técnicos, para atender a apadrinhados políticos.  Amanhã, outra acusação contra Cristiano será analisada pela Justiça do DF. Os desembargadores vão decidir se recebem denúncia contra Cristiano e contra os deputados Celina Leão (PPS), Raimundo Ribeiro (PPS), Júlio César (PRB) e Bispo Renato (PR) no âmbito da Operação Drácon. O MInistério Público do DF pediu também o afastamento dos distritais denunciados de seus respectivos mandatos.

A assessoria de imprensa de Cristiano Araújo refutou as suspeitas investigadas pelo Ministério Público sobre a empresa Pontual. “O parlamentar não possui quaisquer ligações com empresas, mesmo porque, a condição feriria a legislação”. E acrescentou: “Não é crime que a família do distrital toque empreendimentos. O tio materno dele realmente possui ligação com a Pontual e Cristiano tinha conhecimento disso, fato que não influi sobre o mandato dele ou descumpre a lei”.

Em relação ao local de funcionamento da empresa, a defesa do parlamentar declarou que “não se manifestaria sobre bens que não lhe pertencem”. A assessoria de Cristiano ainda identifica relações entre a referida investigação e a Operação Drácon. “Em face à fragilidade e inconsistência da denúncia da Drácon, o Ministério Público tenta criar um clima de condenação. Porém, o deputado aguarda o julgamento com serenidade”, pontua a assessoria de imprensa. O Correio não conseguiu contato com Thiago Melo Wanzeller, proprietário da empresa.

Fonte: Correio Braziliense

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